AIE Libera 400 Milhões de Barris para Estabilizar Preços de Petróleo Durante Crise no Irã
A Agência Internacional de Energia (AIE), composta por 32 países, anunciou a liberação de 400 milhões de barris das reservas de emergência de petróleo, uma medida inédita que procura estabilizar os preços dos combustíveis em um cenário de tensão global. O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, destacou que a ação visa mitigar os impactos negativos nos mercados de petróleo decorrentes da guerra no Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz. “Esse é o maior volume de reservas emergenciais da história da nossa agência”, afirmou Birol durante uma coletiva de imprensa.
Atualmente, o barril de petróleo Brent registra uma alta significativa, com um aumento de 4% nas últimas 24 horas, passando a custar cerca de 30% a mais do que antes do início do conflito. O Estreito de Ormuz, por onde transita 25% do comércio global de petróleo, foi bloqueado pelo Irã em resposta a ações dos Estados Unidos e de Israel, o que gerou um aumento na volatilidade dos preços do mercado.
A liberação dos 400 milhões de barris é suficiente para substituir 20 dias do fluxo normalmente realizado pelo Estreito de Ormuz. Este montante representa um terço dos aproximadamente 1,2 bilhão de barris de reservas mantidas pelos países-membros da AIE. Entretanto, a AIE ressaltou que não há um prazo definido para a liberação desse estoque, que será disponibilizado de acordo com as condições nacionais de cada país.
Implicações da Crise
A especialista Ticiana Álvares, do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), alertou para a eficácia a curto prazo da medida. “Embora amenize os impactos iniciais, se as tensões se prolongarem, o efeito poderá se tornar mais grave, complicando a situação do mercado global de petróleo e gás.” O fornecimento de gás natural liquefeito (GNL), por sua vez, também está sob tensão, uma vez que alternativas para substituir o fornecimento interrompido do Catar e dos Emirados Árabes Unidos são limitadas.
O fechamento do Estreito de Ormuz pode causar perturbações significativas na dinâmica do mercado global, já que a região é vital para o transporte de hidrocarbonetos. As autoridades iranianas reiteraram que irão continuar a impedir a passagem de navios que considerarem ameaçadores aos seus interesses.
Reuniões em Nível Global
Em face da crise, o presidente francês Emmanuel Macron convocou uma reunião do G7 para discutir as ramificações da situação energética provocada pela instabilidade no Irã. O grupo, que inclui países como Estados Unidos, Japão e Alemanha, busca maneiras de mitigar os impactos nos mercados globais. Nos EUA, já se observa um aumento nos preços dos combustíveis, que chegaram a US$ 3,50 por galão, o mais alto desde maio de 2024.
Conflito e Retaliações
Além disso, as tensões no conflito têm se intensificado, com o Irã ameaçando navios que trafegam pelo Estreito de Ormuz, afirmando que “nenhum litro de petróleo passará pelo Estreito em benefício dos EUA e seus aliados”. Essa retórica acirra ainda mais a incerteza sobre o futuro da região e suas implicações no mercado energético global.
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Foto: Reuters/Yves Herman/Arquivo/Proibida reprodução
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Mapa do Estreito de Ormuz – Arte/EBC
Países decidem liberar reservas de petróleo em meio à guerra no Irã
Fonte: Agencia Brasil.
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