CulturaPeça aborda luta feminina e maternidade em releitura de Medeia

Peça aborda luta feminina e maternidade em releitura de Medeia

Num mergulho profundo na mitologia grega e suas repercussões contemporâneas, estreia no Sesc Ipiranga, em São Paulo, a peça “Medea depois do Sol”. Com exibições programadas do dia 6 ao dia 29 de março, a obra teatral da dramaturga Luciana Lyra se debruça sobre temas como maternidade, violência de gênero e a exploração da natureza, coincidindo suas apresentações com o Dia Internacional da Mulher.

A narrativa toma como ponto de partida o destino incerto de Medeia, personagem mítica que escapa necessitando ajuda divina após cometer atos extremos como a morte de seus próprios filhos. Este antigo texto de Eurípedes é revivido sob uma nova luz, explorando as fronteiras emocionais e sociais que continuam a tocar profundamente a sociedade moderna, especialmente a feminina.

Luciana Lyra, além de dramaturga, assume também o papel principal, representando Medeia ao lado da atriz-musicista Lisi Andrade. A peça propõe uma reflexão sobre o ecofeminismo, conectando a exploração e a violência sofrida pelo corpo feminino à devastação enfrentada pela natureza.

O projeto marca um diferencial importante: a equipe criativa é predominantemente feminina. Ana Cecília Costa e Kátia Daher ocupam a cadeira de direção, enquanto a trilha sonora foi especialmente composta por Alessandra Leão e a própria Luciana Lyra. No âmbito do design, temos Renata Camargo dirigindo gestos e movimentos, Carol Badra responsável pelo figurino e Camila Jordão dominando cenografia e iluminação.

Outra dimensão chave dessa produção foi a pesquisa extensiva realizada pela dramaturga. Luciana interagiu com grupos teatrais de diversas regiões do Brasil, buscando entender não apenas a personagem de Medeia, mas também refletir sobre a realidade feminina latino-americana. Suas descobertas revelaram uma conexão entre as opressões vividas pelas mulheres no continente, em paralelo à luta na defesa dos recursos naturais.

O espetáculo “Medea depois do Sol” ocorre às 21h30 nas sextas-feiras, e às 18h30 nos sábados e domingos, com ingressos variando de R$ 15 a R$ 50.

A representação localizada na Rua Bom Pastor, 822, no Ipiranga, promete uma jornada emocionante e reflexiva sobre temas urgentes da sociedade moderna, servindo como um espelho para questionamentos e realidades frequentemente esquecidos ou silenciados.

Peça de clássico grego discute violência de gênero e maternidade

Agência Brasil

Educação

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