Brasil Enfrenta Impactos do Aquecimento Global: 2025 Registra Terceiro Ano Mais Quente da História
O ano de 2025 foi marcado por um cenário alarmante para o clima global e, consequentemente, para o Brasil. Segundo o relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a temperatura média global atingiu 1,47 °C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), registrando 14,97 °C. Esse fenômeno climático provocou uma série de eventos extremos no Brasil, afetando diretamente 336.656 pessoas e causando um impacto econômico de R$ 3,9 bilhões. Os dados refletem uma tendência crescente de desastres climáticos que, segundo o Cemaden, aumentaram 222% desde os anos 1990.
O relatório, que compila informações de monitoramento climático em diversas regiões do mundo, revela que em 2025 houve uma combinação de ondas de calor sem precedentes, secas severas, incêndios e chuvas intensas. Especialistas destacam que essas condições foram intensificadas por níveis recordes de vapor d’água na atmosfera. Entre as consequências mais severas, o documento aponta que 1.493 eventos hidrológicos foram registrados no Brasil, incluindo secas, alagamentos e deslizamentos de terra.
O verão de 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961, tendo como resultado a seca total em oito estados brasileiros: Ceará, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e o Distrito Federal. Em particular, Minas Gerais enfrentou um número alarmante de cidades em risco durante períodos chuvosos, com 306 dos 853 municípios suscetíveis a deslizamentos e enchentes, colocando cerca de 1,5 milhão de pessoas em perigo.
A Intensificação dos Eventos Climáticos
O relatório do Cemaden também esclarece que, entre os 1.493 eventos hidrológicos citados, a região Sudeste do Brasil (que inclui Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) foi responsável por 43% das ocorrências. Os pesquisadores chamam a atenção para a vulnerabilidade dos contextos territoriais, onde fatores como intensidade dos eventos climáticos e a capacidade institucional para resposta variam significativamente entre os municípios brasileiros.
Com 2.095 das 5.570 cidades do país expostas a riscos geo-hidrológicos, a necessidade de uma gestão preventiva se torna ainda mais urgente. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ao qual o Cemaden está vinculado, sublinha a importância de investimentos contínuos em ciência e tecnologia, monitoramento e a integração entre pesquisa e gestão pública. A consolidação desses dados reforça a necessidade de ações urgentes para mitigar os riscos e aumentar a resiliência das comunidades frente a um cenário climático cada vez mais desafiador.
A íntegra do relatório de 44 páginas pode ser acessada no site do Cemaden, oferecendo uma visão mais detalhada sobre a gravidade da situação climática no Brasil e suas implicações.

Desastres climáticos afetaram mais de 336 mil pessoas no país, em 2025
Fonte: Agencia Brasil.
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