Juiz de Fora Implementará Plano Contra Soterramentos em Temporais
Após chuvas devastadoras que resultaram em mais de 60 mortes, Juiz de Fora anuncia a criação de um plano específico para orientar a população durante tempestades fortes. De acordo com sobreviventes e especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a medida é crucial para prevenir novos soterramentos.
As tempestades que atingiram a região da Zona da Mata de Minas Gerais recentemente foram consideradas um dos mais severos eventos climáticos já enfrentados pelo município, deixando um saldo trágico de vítimas e grande número de desabrigados e desalojados. O bairro Jardim Parque Burnier, um dos mais afetados e situado a apenas três quilômetros do centro da cidade, registrou mais de 20 mortes e diversas pessoas foram resgatadas dos escombros.
Residentes como Danilo Frates, um pedreiro da região, criticaram a ausência de um sistema de emergência eficiente, observando a falta de alertas sonoros ou visuais que pudessem antecipar a catástrofe. “Não teve aviso, não teve sirene para alertar, não teve”, desabafou Danilo, que perdeu vizinhos e amigos nos deslizamentos. Segundo ele, melhores avisos e orientações poderiam ter salvado vidas.
Professores da UFJF sublinham a necessidade de um mapa de risco detalhado e de um plano de contingência bem estruturado que informe claramente à população sobre como agir, incluindo rotas de fuga e locais seguros para abrigo. “É preciso instruir melhor os moradores, especialmente aqueles em áreas geologicamente vulneráveis”, alertou Miguel Felippe, professor do Departamento de Geociências.
A Secretária de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular, Cidinha Louzada, explicou que, apesar da existência de um sistema de alerta por mensagens, a configuração do terreno local não favorece o uso de sirenes. Ela reconheceu também a resistência da população em abandonar suas residências, muitas vezes por não terem para onde ir ou por medo de perderem os lares permanentemente.
Com a promessa de investimentos em obras de infraestrutura e o incremento no auxílio moradia, a prefeitura pretende fortalecer a prevenção. Até o momento, estão sendo construídas 278 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, visando realocar famílias em risco.
Cidinha afirma que a previsão é de que as medidas em execução e planejadas reduzam significativamente os riscos futuros. As obras incluem a instalação de um sistema de pôlder no bairro Industrial, destinado a controlar inundações frequentes na área.
Foto por Rovena Rosa/Agência Brasil – Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 – Danilo Fartes, morador do bairro Jardim Burnier, discute a necessidade de melhores sistemas de alerta e resgate após o desastre.
A escala do desafio é histórica, assim como as medidas propostas para enfrentá-lo. Apesar das dificuldades, a iniciativa da prefeitura busca tranqüilizar a população e evitar a repetição das tragédias vivenciadas.
Este texto é parte da cobertura contínua dos esforços de recuperação e prevenção em Juiz de Fora e foi atualizado pela última vez na data da publicação.
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