Colapso do Banco Master e da Reag Investimentos: O que Levou à Liquidação e suas Consequências
As liquidações do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, anunciadas pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025 e em 15 de janeiro de 2026, respectivamente, revelaram um dos episódios mais impactantes da história recente do sistema financeiro brasileiro. As investigações apontam para a existência de fraudes bilionárias e o uso indevido de fundos de investimento para ocultar prejuízos significativos. As tentativas de socorro por meio de instituições públicas, somadas às tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a Polícia Federal, colocaram em evidência a fragilidade da regulamentação financeira no país.
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master se destacou no mercado ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com taxas de rentabilidade acima da média. Para sustentar esse modelo, o banco, segundo as investigações, praticou operações arriscadas, inflacionando seus balanços e comprometendo sua liquidez. Informações reveladas pelo BC e pela Polícia Federal indicam que, além do colapso financeiro, o caso levou a um desmoronamento institucional, exacerbando a desconfiança entre investidores e afetando a credibilidade das instituições.
Funcionamento do Esquema Financeiro
Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações trianguladas. O banco emprestava recursos a empresas consideradas “laranjas”, que, por sua vez, aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos adquiriram ativos de pouco ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflacionados. O Banco Central identificou seis fundos suspeitos, com um patrimônio combinado de R$ 102,4 bilhões, que serviram como veículos para transferir dinheiro entre intermediários até atingir os beneficiários finais.
Esquema de Pirâmide Descoberto
Para atrasar a inadimplência, o Banco Master concedia empréstimos com carências de até cinco anos, utilizando novos CDBs para pagar investidores antigos, caracterizando assim um típico esquema Ponzi. Ofertas de CDBs atingiam até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um nível insustentável. Com o crescimento das suspeitas sobre a solvência do banco em 2024, a captação secou, levando o caixa a um colapso.
Tentativa de Venda ao BRB
Em busca de liquidez, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões de uma empresa fictícia. Essa operação figurava apenas contabilmente, sem pagamento real. Contudo, o BC, ao investigar, comprovou que a carteira não existia. Após manipulação da taxa de juros, a carteira foi revendida ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões. O BC interrompeu a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB, suspeitando que o objetivo era fundir balanços e diluir as fraudes em um banco público.
Intervenção e Liquidação
Diante da deterioração da situação financeira, o BC limitou a captação do Master a 100% do CDI, e a partir de abril de 2025, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou a cobrir CDBs vencidos através de uma linha emergencial. O controlador do banco tentou acelerar a liquidez com a venda de ativos pessoais, mas sem sucesso. O Banco Master foi liquidado quando não conseguia pagar sequer 15% dos vencimentos semanais.
Papel da Reag Investimentos
A Reag Investimentos foi identificada como uma peça central no esquema, suspeita de facilitar a criação de empresas “laranjas” para avolumar os empréstimos a seus fundos. A liquidação da gestora pelo Banco Central é vista como uma extensão direta do caso do Banco Master, sendo que a Operação Compliance Zero desvelou sua engenharia financeira.
Tensão Entre os Órgãos Públicos
Embora represente apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro brasileiro, a liquidação do Banco Master gerou intensas tensões entre diferentes órgãos públicos, incluindo questionamentos no STF, TCU e no Congresso sobre decisões técnicas do Banco Central. O ministro Dias Toffoli, do STF, envolveu-se na análise das questões judiciais relacionadas ao caso, buscando acareação e depoimentos adicionais de figuras centrais da investigação.
Impacto Para os Clientes
Com a liquidação do Banco Master, cabe agora ao FGC ressarcir cerca de 1,6 milhão de clientes, com a expectativa de um desembolso de aproximadamente R$ 41 bilhões—o maior resgate da história do fundo. Este valor, embora expressivo, está limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Os cotistas da Reag Investimentos, por sua vez, não têm proteção do FGC, mas podem optar por outra gestora para administrar seus recursos.
Por Que o Caso é Histórico
Este episódio não apenas evidencia falhas graves na fiscalização e uso indevido de fundos como também levanta sérias dúvidas sobre auditorias e agências de classificação que atestavam a saúde financeira do Banco Master. O caso tenderá a se tornar uma referência para futuras mudanças regulatórias e para o debate sobre a governança no setor financeiro brasileiro.
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Entenda as liquidações do Banco Master e da Reag
Fonte: Agencia Brasil.
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