Nas diversas esquinas e feiras livres do Rio de Janeiro, as tradicionais banquinhas de ervas são um retrato vivo da cultura e do conhecimento popular que atravessa gerações. Tais estabelecimentos são especializados em oferecer não apenas chás e xaropes, mas também banhos e preparações energéticas que, embora não comprovados cientificamente como tratamentos médicos, desempenham um papel crucial no bem-estar dos cariocas, especialmente durante o período de fim de ano, quando a procura por essas folhas aumenta significativamente.
No coração do centro da cidade, na Rua da Carioca, encontramos o erveiro José Adaílton de Souza Ferreira, que cuidadosamente borrifa suas plantas para protegê-las do calor carioca. Ferreira trabalha com uma variedade de ervas como macassá e levante, altamente procuradas por suas propriedades de purificação e proteção espiritual. “As pessoas chegam aqui carregadas de pesares e saem renovadas após os banhos energéticos que recomendo”, explica ele.
A prática de usar ervas em rituais e tratamentos de saúde é comum em muitas religiões, especialmente nas de matriz africana e nas indígenas. Mãe Nilce de Iansã, líder espiritual do terreiro Ilê Omolu Oxum, na Baixada Fluminense, ressalta a importância das plantas nas cerimônias de candomblé, onde cada folha tem um significado específico e é usada de acordo com a necessidade espiritual ou terapêutica.
Em termos acadêmicos, Aline Saavedra, doutora em biologia vegetal e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, aponta que, apesar de não haver estudos conclusivos sobre os benefícios específicos dos banhos de ervas, as práticas rituais associadas a elas podem melhorar o bem-estar emocional e psicológico, influenciando positivamente a química cerebral dos praticantes.
Por outro lado, Saavedra alerta para o uso cuidadoso dessas plantas, especialmente em relação à toxicidade de algumas ervas quando consumidas em excesso. Ela recomenda que os usuários busquem sempre informações sobre a procedência das ervas e consultem especialistas para garantir um uso seguro.
As fotos que ilustram a tradição e o dia a dia desses vendedores estão disponíveis graças ao trabalho do fotógrafo Fernando Frazão da Agência Brasil, que capturou momentos significativos no Mercadão de Madureira e nas ruas do Rio, mostrando tanto a variedade das ervas quanto a interação cuidadosa dos erveiros com suas plantas.
Em suma, enquanto os erveiros do Rio de Janeiro continuam a promover práticas centenárias e culturais através de suas ervas, as autoridades de saúde e os pesquisadores buscam entender e orientar melhor sobre os benefícios e precauções dessas tradições tão enraizadas no cotidiano e na espiritualidade local.
Tradição e fé impulsionam busca por banhos e ervas no fim de ano
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