O deputado federal Gilvan da Federal (PL) subiu à Tribuna Livre da Câmara de Vitória nesta segunda-feira (15) para discutir sua condenação por violência política de gênero, um caso que pode resultar em sua inelegibilidade. No entanto, desviou do tema e concentrou seu discurso no “enfrentamento ao crime organizado”.
Em sua fala, Gilvan defendeu os condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, evitando mencionar diretamente o próprio processo judicial que o condenou em duas instâncias. Enquanto isso, a plateia estava repleta de manifestantes divididos entre apoio e oposição, incluindo políticos de direita de outras cidades.
Durante sua argumentação, Gilvan afirmou que no Brasil “inocentes são condenados”, enquanto “corruptos ligados ao crime organizado” permanecem impunes, especificamente citando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem apresentar provas de envolvimento. Ele fez uma apresentação emocional, incluindo uma imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfatizando que ele estaria “preso ilegalmente”.
Gilvan também comparou sua situação à de outras figuras, mencionando que muitos “supostos criminosos” continuam livres. Ele considerou a condenação dos que participaram dos atos de 8 de janeiro uma injustiça, afirmando que foi um “golpe que nunca existiu”. Além disso, saudou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência, prometendo varrer a “quadrilha” atual do governo.
Ao final, na seção de considerações finais, Gilvan abordou ligeiramente sua condenação, considerando-a um “precedente absurdo” que compromete a imunidade parlamentar. Criticou a deputada estadual Camila Valadão (Psol), que originou a ação judicial, reclamando das acusações de racismo e homofobia que frequentemente sofreu dela.
A recepção na Câmara foi polarizada, com vários vereadores de partidos aliados a Gilvan defendendo sua posição, enquanto os opositores se ausentaram. A ausência foi justificada por um parlamentar do Psol como uma maneira de evitar conflito, considerando sua presença em discursos de pessoas condenadas inaceitável.
Em meio a essa controvérsia, o TRE-ES havia recentemente reafirmado a inelegibilidade de Gilvan por oito anos, uma decisão que ele ainda pode contestar no TSE. Sua trajetória política inclui suspensões e condenações, incluindo uma pena por transfobia, que ressalta sua imagem controversa no cenário político.

Fonte: Século Diário

