Contagem de Votos Retomada em Honduras em Meio a Controvérsias e Influência dos EUA
Na manhã desta segunda-feira (8), o Conselho Nacional Eleitoral de Honduras (CNE) anunciou a retomada da contagem manual dos votos da eleição presidencial do dia 30 de novembro, após três dias de suspensão do processo. A interrupção ocorreu em meio a declarações polêmicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que expressou seu apoio ao candidato Nasry Tito Asfura, líder da corrida eleitoral por apenas 19 mil votos. A presidente do CNE, Ana Paula Hall, reafirmou que as atualizações dos resultados estão sendo feitas após auditorias técnicas. Trump, em sua conta nas redes sociais, insinuou sem evidências que o CNE estaria manipulando os resultados e ameaçou com “consequências terríveis” caso isso ocorresse.
No último domingo (7), o partido governista Libre, da presidente Xiomara Castro, se posicionou contra a ingerência de Trump nas eleições, solicitando a anulação do pleito. O partido divulgou uma nota de repúdio à “coação” do presidente americano, citando o indulto concedido a Juan Orlando Hernández, ex-presidente hondurenho condenado por narcotráfico. Tal indulto é visto como uma ação de Trump para influenciar o cenário eleitoral, uma vez que Hernández é do Partido Nacional, alinhado a Asfura. O partido Libre também denunciou uma suposta campanha de intimidação entre os eleitores, sugerindo que aqueles que não apoiassem Asfura poderiam ser privados de remessas enviadas por hondurenhos que vivem nos EUA.
O sistema eleitoral hondurenho é caracterizado pela contagem manual de cédulas de papel. Até o momento, cerca de 88% das urnas foram apuradas, e Asfura lidera com 40,2% dos votos, seguido pelo centro-direitista Salvador Nasralla, com 39,51%, e Rixi Moncada, apoiada pelo partido governista, com 19,28%. Vale destacar que electoralmente não há segundo turno em Honduras; o vencedor é decidido na primeira rodada, ou seja, aquele que obtiver a maior quantidade de votos.
Gustavo Menon, professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília (UCB), acredita que a intromissão de Trump não é apenas uma questão interna, mas reflete a tentativa dos EUA de realinhar sua influência na América Latina e limitar o avanço chinês na região. Para Menon, o apoio a Asfura indica que Washington busca candidatos que estejam mais alinhados com seus valores conservadores e políticas externas, especialmente em questões como imigração.
Honduras retoma contagem de votos em meio a ingerência de Trump
Fonte: Agencia Brasil.
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