Professores no Brasil Enfrentam Instabilidade no Emprego, Revela Pesquisa da OCDE
De acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem 2024 (Talis), divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), dois a cada três professores brasileiros possuem contratos permanentes, uma condição que põe o Brasil abaixo da média global.
O estudo, realizado com o apoio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e as secretarias de Educação das 27 Unidades Federativas, ressaltou que, no Brasil, apenas 64% dos docentes têm estabilidade no emprego, comparado aos 81% na média dos países da OCDE. Esta porcentagem representa uma queda de 16 pontos percentuais em relação ao último levantamento de 2018.
A pesquisa entrevistou professores e diretores, principalmente do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, e constatou que contratos permanentes garantem maior segurança para os educadores, influenciando diretamente a qualidade da educação oferecida. O emprego temporário gera insegurança e pode afetar o desempenho dos professores em sala de aula.
No cenário internacional, o Brasil ocupa a quinta pior posição entre os países avaliados, ficando à frente apenas de locais como Xangai-China, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Costa Rica. Em contrapartida, países como Dinamarca, Letônia e França quase alcançam a totalidade em contratos permanentes para professores.
Além da estabilidade no emprego, a pesquisa também revelou dados preocupantes sobre a satisfação salarial dos professores brasileiros. Menos de um quarto, apenas 22%, afirmam estar satisfeitos com seus rendimentos, o que coloca o Brasil novamente em uma posição desfavorável no ranking global. Comparativamente, a média de satisfação salarial nos países da OCDE é de 39%.
Condições de trabalho, excluindo o salário, também são motivo de insatisfação, com apenas 44% dos professores brasileiros contentes, uma queda desde a pesquisa anterior. Esta insatisfação é maior apenas do que a registrada entre professores no Japão e em Portugal, com base nos dados disponíveis para esses países.
Os resultados indicam um desafio crítico no setor educacional brasileiro em termos de contratação e condições de trabalho dos professores, refletindo na necessidade de políticas que fortaleçam a estabilidade e a valorização dos profissionais da educação. A pesquisa Talis é essencial para entender as dinâmicas do ambiente educacional e focar em melhorias contínuas para o setor.
Para mais informações, consulta-se o documento completo da Talis disponível no site da OCDE e do Inep.
Número de professores temporários no Brasil é maior que na OCDE
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