Proteção das Terras Indígenas Reduz Impactos da Poluição e Melhora Saúde nas Cidades Amazonenses
Um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores brasileiros revelou que as Terras Indígenas (TIs), em especial aquelas legalmente reconhecidas, desempenham um papel vital na mitigação de doenças provocadas por queimadas e infecções tropicais em localidades situadas a até 500 quilômetros de distância. A pesquisa, coordenada por Julia Barreto, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, e Paula Prist, do Forests and Grassland Program da União Internacional pela Conservação da Natureza, coletou dados abrangendo os primeiros 20 anos deste século, analisando a poluição causada por queimadas na Amazônia e na Mata Atlântica.
Os pesquisadores enfocaram o material particulado inferior a 2,5 micrômetros, um poluente que provoca irritações nas mucosas, doenças respiratórias e cardiovasculares. Este material pode ser transportado pelos ventos a longas distâncias, afetando não apenas as comunidades indígenas, mas também a população urbana circundante. “A relação entre a integridade das florestas e a saúde é bem direta: quanto mais preservadas, menor o impacto na saúde dos moradores”, diz Paula Prist.
O estudo revelou que a preservação das TIs reduz tanto a quantidade de focos de queimadas quanto a extensão dos danos provocados, tendo implicações diretas na disseminação de doenças infecciosas como malária e leishmaniose. As TIs não apenas preservam a biodiversidade, mas também atuam como barreiras naturais contra a poluição do ar, contribuindo para um ambiente mais saudável para todos.
A pesquisa incluiu colaborações com cientistas de outros países da Amazônia, como Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, a fim de comparar dados sobre doenças associadas à poluição e à presença de populações indígenas em áreas legalmente protegidas e não reconhecidas. As conclusões obtidas a partir dessa extensa rede de dados também contribuem para a elaboração de políticas públicas mais eficazes no contexto da saúde e da conservação ambiental.
Julia Barreto destaca que a proteção das TIs vai além do reconhecimento dos direitos ancestrais, ressaltando seus benefícios diretos para a saúde das populações nas áreas circunvizinhas. “As TIs oferecem um serviço ambiental essencial, tornando as paisagens mais saudáveis para toda a região”, afirma.
As descobertas do estudo foram publicadas na revista científica Nature e representam uma evidência clara do papel crítico que as Terras Indígenas desempenham na saúde pública e na preservação ambiental. Esses dados, agora disponíveis para pesquisadores e interessados, reafirmam a importância do manuseio conjunto de conhecimentos ancestrais e da ciência moderna na defesa ambiental.
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Estudo mostra que demarcar terras indígenas melhora saúde da população
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente

