A escalada da desnutrição infantil na Faixa de Gaza atinge níveis alarmantes, com um aumento significativo de casos graves conforme relatório recente da Unicef. Em agosto, foi registrada uma alta preocupante no número de crianças gravemente afetadas, intensificando a crise humanitária na região.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou para um incremento dramático na porcentagem de crianças diagnosticadas com desnutrição aguda em Gaza, subindo de 8,3% em julho para 13,5% em agosto, com índices ainda mais elevados na Cidade de Gaza, onde a fome já foi oficialmente declarada. O número de crianças internadas com desnutrição nesse contexto cresceu de 16% para 19% neste período.
A situação é agravada pelo fechamento de dez centros de tratamento ambulatorial na Cidade de Gaza e no norte de Gaza, decorrentes de ordens de evacuação e aumento das operações militares, segundo a Unicef. Em julho, quando a capacidade de triagem era superior e havia menos interferência militar, cerca de 13 mil crianças foram diagnosticadas com desnutrição aguda, contra 12,8 mil em agosto, apesar do número reduzido de exames realizados.
Ricardo Pires, porta-voz do Unicef, descreve a situação como uma “catástrofe humanitária absoluta”, mencionando que o conflito quase bienal já custou a vida de mais de 18,5 mil crianças em Gaza. A escalada militar contribui para o deslocamento forçado, empurrando crianças para áreas cada vez mais perigosas.
O Unicef e seus parceiros têm buscado mitigar a emergência com a distribuição de Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso (RUTF) e outros suprimentos nutricionais essenciais em cerca de 140 locais por toda Gaza, embora ainda enfrentem déficits significativos especialmente para bebês e mulheres grávidas ou lactantes. Catherine Russell, diretora executiva da Unicef, também ressaltou a importância de proteger os serviços de nutrição em meio ao agravamento do conflito.
O cenário desolador se estende para mulheres grávidas e lactantes, gravemente afetadas pela insegurança alimentar, com uma em cada cinco crianças nascendo prematuramente ou abaixo do peso na Faixa de Gaza. A Unicef enfatiza a necessidade urgente de expansão dos suprimentos de ajuda alimentar e de nutrição, além da reabilitação do sistema de saúde, para evitar os piores desfechos da crise de fome.
A agência da ONU conclama todas as partes envolvidas a restabelecerem um cessar-fogo imediato e a respeitarem as obrigações sob o direito internacional, enfatizando a proteção aos civis e à infraestrutura crítica, e permitindo a entrada desimpedida de ajuda humanitária e o acesso seguro para que os trabalhadores possam fornecer assistência vital onde necessário.
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Desnutrição infantil em Gaza atinge novo recorde em agosto, diz Unicef
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