31 de janeiro de 2026
InternacionalVieira: Brasil não aceitará interferência judicial nas negociações com EUA

Vieira: Brasil não aceitará interferência judicial nas negociações com EUA

Brasil Reafirma Soberania diante de Interferências Judiciais dos EUA

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, destacou em evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira (26) que o Brasil não aceitará qualquer tipo de negociação com os Estados Unidos que envolva interferência em questões judiciais internas. As declarações de Vieira ocorrem em um contexto de crescente tensão comercial, após os EUA imporem tarifas elevadas, com destaque para um tarifaço de 50% sobre uma série de produtos brasileiros. Este aumento nas tarifas, segundo o ministro, é uma medida sem precedentes nos 201 anos de relações comerciais entre os dois países e está intrinsicamente ligado ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, por suspeitas de tentativas de abolição do Estado Democrático de Direito.

Durante sua fala, Vieira enfatizou que a imposição das tarifas foi motivada por motivos políticos e que interfere diretamente em um assunto que deve ser tratado pela justiça brasileira. “Trata-se de uma medida expressamente adotada por razões políticas relacionadas ao processo envolvendo o ex-presidente e seus principais assessores”, disse. O ministro reafirmou a indiscutível soberania do Brasil, afirmando que não haverá espaço para interferência externa nas decisões judiciais internas.

Embora o Brasil se posicione de forma firme contra as tarifas e a possível ingerência dos EUA, Vieira também reforçou a disposição para o diálogo. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem conversado com líderes de países como Índia, China, México e França, buscando apoio de nações que também são afetadas pelas tarifas estadunidenses. Além disso, o ministro das Relações Exteriores anunciou planos para iniciar discussões sobre uma reforma na Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que é necessária uma refundação do organismo em bases mais modernas e flexíveis.

As palavras de Vieira são um claro sinal da estratégia brasileira de separar questões comerciais de políticas, numa tentativa de restabelecer um ambiente mais favorável nas relações Brasil-EUA, ao mesmo tempo em que busca compensar os impactos das novas barreiras tarifárias.

[Imagem: Comissão das Relações Exteriores do Brasil. Crédito: Agência Brasil]

Vieira: não há negociação com EUA que envolva interferência judicial 

Fonte: Agencia Brasil.

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