EconomiaBrasil busca evitar viés antiocidental no novo Brics ampliado

Brasil busca evitar viés antiocidental no novo Brics ampliado

Cúpula do Brics no Rio de Janeiro: Expectativas e Desafios para o Brasil

Dentro de uma semana, o Rio de Janeiro se tornará o centro das atenções globais ao sediar a reunião de cúpula do Brics, um bloco que reúne 11 países-membros, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China, e as mais recentes adições, como Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Esta será a primeira vez, neste ciclo de liderança rotativa, que o Brasil liderará as discussões, tornando-se a capital do Brics nos dias 6 e 7 de outubro. Com um cenário deslumbrante da Baía de Guanabara como pano de fundo, o Museu de Arte Moderna (MAM) será o palco onde chefes de Estado e de Governo discutirão temas que podem moldar a nova ordem mundial. Especialistas observam que, apesar da ampliação do bloco, o Brasil deve evitar que o Brics se torne uma entidade antiocidental, mantendo um equilíbrio nas relações com os países tradicionalmente ocidentais.

Na visão de Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP e diretor do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o foco do Brasil deve ser construir um Brics que sirva como uma plataforma de representação dos países em desenvolvimento, mas sem se distanciar do Ocidente. Guimarães ressaltou a oportunidade que a cúpula representa para o Brasil recuperar prestígio internacional, após um período de isolamento político.

O NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), uma das principais realizações do Brics, aparece como um pilar para o financiamento de projetos sustentáveis e a promoção de uma agenda voltada para a cooperação Sul-Sul, em áreas como saúde e mudanças climáticas. A ampliação do Brics, embora traga novas forças, difunde também a influência brasileira no grupo, levantando questionamentos sobre o real impacto dessa expansão no cenário global.

Com a participação de novos membros, as discussões na cúpula devem abordar não apenas a cooperação econômica, mas também questões como a transição energética e a regulamentação da inteligência artificial. "O Brics representa uma nova ordem que busca reformar o sistema internacional e promover discussões relevantes como a segurança alimentar e as mudanças climáticas", explicou Guimarães.

Em um cenário global em rápida mudança, onde questões geopolíticas se entrelaçam com interesses comerciais, a cúpula é uma oportunidade para reafirmar a relevância do Brasil no cenário internacional, enquanto navega entre as complexidades das relações multiplicadas pelo aumento de seus membros. As discussões de mercadorias trocadas sem depender do dólar americano, além das consequências da guerra comercial promovida por ex-lideranças dos EUA, também estarão na pauta.

Embora o Brics represente quase metade da população mundial, suas deliberações e decisões podem influenciar a economia global de maneiras que vão além do comércio, podendo até mesmo formar novos consensos em questões ambientais e sociais. Na etapa final da seu planejamento, será crucial para o Brasil definir sua posição nesse novo espectro global que se desdobra diante da crescente força do Brics.

A cúpula pode ser considerada um divisor de águas para o Brasil, que terá a chance de reconfigurar suas alianças e interesses no cenário internacional, sem perder de vista suas tradições e conexões com o Ocidente.

Entenda o Brics

Atualmente, o Brics é composto por 11 países: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Juntos, esses países representam aproximadamente 39% da economia global e 48,5% da população do planeta. Além disso, 10 países possuem status de parceiros, incluindo Belarus e Vietnã. Desde sua fundação em 2006, o Brics evoluiu significativamente, passando de um grupo inicial de quatro países, conhecido como Bric, para a representação diversificada que temos hoje.

Neste contexto, o Brasil espera utilizar a presidência do Brics para discutir estratégias inovadoras e fortalecer sua posição no cenário global, enquanto aborda os desafios impostos por uma ordem mundial em constante transformação.

Especialista avalia que Brasil não quer que o Brics seja antiocidental

Fonte: Agencia Brasil.

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